Domingo, Outubro 19, 2008

Cinema Japonês


Cinema japonês
O oriente tem um papel mais do que importante na história do cinema. Na Ásia encontramos a primeira forma de expressão da sétima arte, a cultura milenar recebeu o nome de Teatro das sombras. Essa técnica surgiu no noroeste da China durante a Dinastia Han (206 a C. á 220 d C.), e consistia em peças teatrais dramáticas compostas por figuras de papel que tinham suas sombras projetadas em tecidos brancos dando ao espectador apenas as silhuetas dos personagens.
Depois de muitos séculos, e de muitos avanços tecnológicos o Japão tomou conhecimento da nova forma de entretenimento que os americanos estavam desfrutando. Em 1897 a empresa Vitascope fez a primeira demonstração de uma projeção de filmes, a partir de então o Japão deslanchou na produção de filmes e em pouco tempo já tinha suas películas sonorizadas, o público contava com uma espécie de “dublador ao vivo” que reproduzia os diálogos da produção.
Dezesseis anos depois ocorreu a primeira grande produção do cinema japonês. Chushingura era resultado da junção do diretor Shozo Makino e Matsunoke Onobe e até hoje tem diversas versões espalhadas pelo mundo. Uma década depois Tókio foi devastada por um terremoto e foi o momento de uma reconstrução total da indústria cinematográfica japonesa.
O ano de 1932 foi marcado pelo assassinato do primeiro ministro Tsuyoshi Inukai e a partir de então o Japão fora inundado pelo militarismo. Censura e propagandas militares em doses excessivas assinalaram que a guerra contra a China teria começado e que um período sombrio assolaria todo o país. Enredos tinham a lealdade ao imperador como primeiro plano, o sacrifício pessoas em benefício do grupo era a regra suprema.
O fim da guerra trouxe consigo um grande choque ideológico,pois o sistema que imperava no Japão até então estava “ameaçado” pelos valores individualistas importados do ocidente.Uma mudança radical foi a elevação do papel feminino nas grandes produções,Kenji Mizoguchi foi um dos diretores que destacou a mulher em seus filmes: Gion no shimai(As irmãs de Gion,1939) relata a história das gueixas do famoso bairro de Kyoto Yoru no Onnatachi(Mulheres da noite) é um retrato da vida das prostitutas do pós-guerra e foi decisivo para que as leis sobre a prostituição no Japão fossem mudadas.
No final da década de 1940 o Japão recuperara seu crescimento, tinha cerca de 2 mil salas de cinema espalhadas pelo país alimentadas quatro produtoras,mas ainda era desconhecido nas outras partes do mundo até que em 1951 o cinema japonês foi apresentado ao ocidente através da produção Rashomon,dirigido por um dos maiores profissionais pós-guerra,Akira Kurosawa teve seu trabalho reconhecido e premiado com o Leão de Ouro no festival de Veneza e com o Oscar de melhor filme estrangeiro do ano de 1952.
A figura de Kurosawa foi marcada nos quatro cantos do mundo e com o passar do tempo sua carreira foi se consolidando muito mais no ocidente do que no Japão. Inúmeros foram os prêmios entregues á ele e em 1993 foi veiculado a sua ultima película, Madadayo(Não ainda não).
Recentemente o mundo conheceu outro lado do Japão que concorre junto aos filmes, a produção de desenhos animados. Hayao Miyazaki,diretor de animação,foi o grande responsável pelas bilheterias milionárias do povo da terra do sol nascente,seu primeiro longa-metragem ,Kaze no Tani no Nushita(Nausicaa do Vale dos Ventos) teve um sucesso estrondoso de público e foi aclamado pela crítica japonesa.
Ainda indo pela linha de animação temos os desenhos que viraram séries e posteriormente em Filmes.No Brasil tivemos a exibição de Pokémon(inicialmente um jogo patenteado pela empresa de jogos eletrônicos Nintendo),Dragon Ball(Mangá japonês criado pó Akira Toriyama),Sakura card captors(Mangá criado pela produtora japonesa CLAMP),Digimon(Série de episódios produzida pela Bandai e TOEI).
Para termos noção do sucesso desses filmes quando chegaram aos EUA, ainda em formatos de séries,os desenhos japoneses ficaram em exibição durante anos sendo ultrapassados em termos de Audiência apenas por Os Simpsons, O Rei do Pedaço, Arthur e South Park.
Mudando para uma linha mais recente o Japão tem exportado centenas de produções para o mundo, e o destino mais comum entre elas é os EUA. Tudo começou em 2002, com a refilmagem de Ringu, recordista de bilheterias no Japão que, nos Estados Unidos, ganhou o nome de The Ring (O Chamado). Estrelado pela loira Naomi Watts e com direção de Gore Verbinski, o longa adaptou para o ocidente a história de um fantasma que se vingava dos vivos por meio de uma fita de vídeo amaldiçoada.
O filme fez tanto sucesso que rendeu uma continuação, O Chamado 2, que estreou no topo das bilheterias norte-americanas em março de 2005. Só que, desta vez, o filme foi dirigido por Hideo Nakata, criador da série original e um dos principais nomes do cinema de terror no Japão.
Além de O Chamado, outros filmes japoneses ganharam versão “ocidentalizada”. É o caso de "O Grito" (The Grudge), com Sarah Michelle Gellar, que também alcançou bons números nas bilheterias. A versão americana foi dirigida pelo próprio criador do original japonês Ju-On, Takashi Shimizu, e rodada em locação no Japão.
“Nos filmes japoneses, o que se esconde no escuro é o espírito de uma mulher ou mesmo de uma criança, e não um assassino mascarado”, diz o crítico de cinema Mark Schilling. Essa diferença entre os filmes japoneses e americanos termina criando um caráter de novidade.
Uma curiosidade é que os filmes japoneses não hesitam em atribuir alguma maldição á tecnologia. Essa fixação nipônica talvez exista pelo fato do Japão ser um dos maiores exportadores de produtos eletrônicos e eles mesmos tiveram que se adaptar a uma abrupta mudança em seus costumes na era pós-guerra. Esse é o ponto focal das produções orientais, a subserviência da humanidade a algo que deveria ser utensílio.
Em suma, o cinema japonês tem uma trajetória invejável. Além das produções do gênero terror temos as de outros gêneros que fazem sucesso no mundo todo. Com o passar das décadas foi mostrando sua força e hoje pode ser considerado um dos maiores exportadores de produções. Possui características únicas e encanta á todos com seus enredos cheios de mistério e com pitadas de misticismo.


1 escarros:

Iuri oliveira disse...

o retrato do cinema Japonês é unico e esta cada vez mais conquistando o ocidente.
Parabens!!!