Domingo, Setembro 28, 2008

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A ARTE DE FAZER UM JORNAL DIÁRIO- RICARDO NOBLAT
A obra de Ricardo Noblat aborda com muita simplicidade todas as técnicas necessárias para ser um jornalista. O mais interessante foi a didática usada pelo autor,ao contrário de muitos autores ele usou a sua experiência,contando inúmeros fatos, para alcançar o objetivo de lançar diretrizes para o profissional de jornalismo.
As idéias dentro do livro estão em uma ordem que foi escolhida por ele, eu vou tentar mostrá-la de outra maneira.
Quando se faz um jornal, na maioria das vezes não se para pra pensar no que tornou aquele fato aquele em notícia. Muitas vezes nos deparamos com manchetes que são temporárias e que não possuem começo meio e fim. Noblat falou sobre o “jornalismo histórico”, o que seria?Trata-se de escrever a notícia contando os fatos que a antecederam e que foram essenciais para que o fato se consumasse. Tudo isso daria ao leitor mais informações para saber ao certo todas as pessoas envolvidas, todas as razões para aquilo ter ocorrido.
Essa técnica é pouco usada em jornais, pois ela demanda tempo para se fazer reportagens, textos de apoio e outras coisas e também precisa de um espaço considerável no jornal, e como se sabe o espaço dentro de cada página é medido para não comprometer os espaços que serão destinados á propaganda (principal meio de obtenção de lucros)
O “jornalismo histórico” mostra a cara do fato para o leitor, isso dificulta o que chamamos de manipulação. Noblat defende com todas as forças o jornalismo responsável e critico, mas também mostra o outro lado da profissão.
A manipulação de informações é feita por inúmeros motivos: formato do veículo, interesses econômicos, políticos, pessoais... Enfim, lidar com acontecimentos que podem mudar o rumo de vidas exige muita cautela e responsabilidade coisa que nem todos têm.
Para ilustrar esse assunto tivemos o filme “A montanha dos sete abutres”, filme dirigido em 1951 pelo austríaco Billy Wilder o enredo trata de um jornalista que busca retomar seu emprego em um grande jornal sem se preocupar muito com as questões éticas que a sua profissão exige para isso ele não hesita em colocar detalhes que não existem em suas matérias apenas para ganharem um glamour que não teriam se não tivesse a ajuda do jornalista. Em uma saída para fazer uma matéria ele descobre uma montanha que desabara e no seu interior um homem que tinha ficado preso nas pedras, olhando para aquelas situação ele imagina o quanto ela poderia render se aquele homem continuasse ali. Criou uma história mirabolante sobre a realidade, envolvendo todos que ali estavam, retardou a retirada do homem e tornou uma tragédia em um grande circo.
Como fim teve que suportar a morte do homem nas costas e percebeu que não havia valido á pena toda a sua ganância.
Em decorrência destes problemas e outros é que a escolha do profissional é de suma importância para um bom produto final. É comum encontrarmos muitos estagiários em grandes empresas e isso é muito bom, pois isso aumenta as chances do estudante ter experiência na área, mas o que ocorre é que as funções que eles estão trabalhando exigem uma preparação maior. Noblat é claro e dá ênfase na preparação do indivíduo. Saber escrever, ser atento as mudanças do mundo são peças chave para uma boa carreira, mas a experiência dá ao profissional um feeling que nenhuma universidade dará: o faro jornalístico.
Além de todas estas questões “psicológicas”, Noblat dá jus ao título do livro e “ensina” como fazer um jornal diário. Com uma linguagem coloquial ele começa dizendo do quão é importante duvidar diante de todas as informações que chegam á sua mesa, que nessas horas é indispensável perguntar sobre tudo, todas as circunstâncias e sanar todas as possíveis dúvidas. Verificar se as fontes são confiáveis e verídicas, respeitar o sigilo quando é solicitado pela fonte. A rede de relacionamentos de quem trabalha como jornalista tem de ser extensa e sem preconceitos, porteiros, cozinheiras, camareiras... Enfim, todos podem estar no lugar certo na hora certa e os depoimentos são essenciais.
Noblat diz que não há receita para escrever, o processo é baseado na objetividade e na clareza, sem usar chavões e ser fiel á realidade, fora isso cada um tem um estilo próprio.
O livro apresenta toda a trajetória do Correio Brasiliense, e de Ricardo Noblat, jornalista há 35 anos, e são esses os 35 anos que fazem do livro um depoimento de vida e profissional, um testemunho que educa e explica.




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